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19 de julho de 2011

Para falar sobre Igreja é preciso conhecê-la, afirma Dom Celli


Hoje lendo o Site da canção nova, como tenho feito durante minhas manhãs, li algo que me chamou a atenção. Essa matéria sobre conhecer a nossa igreja fala sobre o catecismo da Igreja Católica que temos que ter conhecimento.

Teremos a oportunidade de conhecer mais a fundo com o curso que informei aqui no blog. Vamos todos participar desse curso, que é de extrema importância para nós católicos. Vamos conhecer a nossa igreja.

Espero que gostem. 


Por: Kelen Galvan (Enviada especial ao Rio de Janeiro) - Canção Nova

"Há muitos que trabalham nos meios católicos e nem sequer conhecem o Catecismo da Igreja Católica (CIC). Como posso falar de algo sobre Igreja se não sei o que ela pensa?", foi o que afirmou, na manhã desta segunda-feira, 18, o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli, no segundo dia de atividades do 7º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom).

Dom Celli declarou ainda que há pessoas que se dizem jornalistas católicos, mas nunca leram o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. "Como podem falar palavras de justiça e verdade se não conhecem o que a Igreja fala sobre os problemas sociais? É preciso encontrar pessoas que sejam capazes de trabalhar em equipe, capacitadas nas diversas áreas de comunicação, mas que amam a Igreja".

O arcebispo afirmou que o importante não é se "tem uma câmera, um microfone, um computador, mas o que tem em seu coração". E questionou: "O que tem no coração? Qual sua experiência de Deus? Esse é o foco do anúncio de quem quer ser comunicador da Igreja em todas as suas forças e expressões. E isso requer de nós um constante exame de consciência, de como comunicamos [as notícias] e para quê."

Dom Celli salintou também que "é preciso dizer sempre a verdade, inclusive as mais incômodas, porém, sempre com caridade e respeito ao outro. Precisamos dizer palavras de justiça e elas podem ser pesadas em algum momento, mas é preciso dizê-las, porém sendo respeitosos. E esse critério vale para os ministros ordenados e para os fiéis cristãos".

O presidente do Pontifício Conselho recordou um acontecimento com João Paulo II que ele presenciou. "Um domingo, o Papa falou, no Angelus, sobre a família; no dia seguinte, os jornalistas o atacaram fortemente. No domingo seguinte, o Santo Padre falou de novo sobre a família; no dia seguinte, os jornalistas o atacaram novamente. Três dias depois, eu estava com ele num almoço, e ele disse aos que estavam presentes: 'Se Deus me quisesse sozinho no mundo para defender a família, eu o faria', e deu um soco na mesa que balançou todos os pratos, talheres e copos".

Isso para dizer que o que interessa para a Igreja é o ser humano. "No centro da comunicação está a pessoa. Concretamente, elas são únicas, irrepetíveis e dignas de máximo respeito, e é preciso alcançar uma dignidade autêntica".

Dom Celli explicou que, diante de tantas tecnologias, é preciso um "discernimento tecnológico", que permita selecionar o que realmente serve à missão da Igreja. E destacou, "o homem de hoje necessita de silêncio e calor, e não podemos oferecer a ele somente ruído e calor". Ele sugeriu ainda que nossas rádios e outros meios de comunicação pensem em como corresponder a essa "busca" que há no coração do homem.

O representante do Vaticano concluiu felicitando a Igreja no Brasil por sua criatividade e riqueza; e lançou o desafio de que ela possa "oferecer essa riqueza a toda América Latina e à Igreja em sua totalidade".

2 de junho de 2011

“Unidos no ensinamento dos apóstolos..."

“Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”. (Cf Atos 2,42)

A Igreja em Jerusalém ontem, hoje, amanhã Há dois mil anos, os primeiros discípulos de Cristo reunidos em Jerusalém experimentaram o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes e foram reunidos na unidade como corpo de Cristo. Nesse evento, os cristãos de todos os tempos e lugares vêem sua origem como comunidade de fiéis, chamados a  proclamar juntos Jesus Cristo, como Senhor e Salvador. Embora aquela iniciante Igreja de Jerusalém experimentasse dificuldades, interna e externamente, seus membros perseveraram na fidelidade e na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Não é difícil perceber como a situação dos primeiros cristãos na cidade santa reflete a da Igreja em Jerusalém hoje. A comunidade atual experimenta muitas das alegrias e tristezas da Igreja dos primeiros tempos: sua injustiça e desigualdade, e suas divisões, mas também sua fiel perseverança e o reconhecimento de uma unidade mais ampla entre os cristãos. As Igrejas em Jerusalém hoje nos oferecem uma visão do que significa buscar a unidade, mesmo em meio a grandes problemas. Elas nos mostram que o chamado à unidade pode ser mais do que meras palavras e que, de fato, ele pode nos orientar para um futuro no qual antecipamos e ajudamos a construir a Jerusalém celeste.
...Este ano, o chamado à unidade, para as Igrejas do mundo inteiro, vem de Jerusalém, a Igreja mãe. Conscientes de suas próprias divisões e de sua própria necessidade de fazer mais pela unidade do corpo de Cristo, as Igrejas em Jerusalém fazem um apelo a todos cristãos para a redescoberta conjunta dos valores que mantinham unida a comunidade primitiva em Jerusalém, quando os cristãos se uniam no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações. Esse é o desafio que está diante de nós. Os cristãos de Jerusalém convocam seus irmãos e irmãs para fazer desta Semana de Oração uma ocasião de renovar o compromisso de trabalho por um genuíno ecumenismo, enraizado
na experiência da Igreja dos primórdios.

Quatro elementos de unidade
As orações da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2011 foram preparadas por cristãos em Jerusalém, que escolheram como tema At 2,42: “Eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. Esse tema é um chamado à volta às origens da primeira Igreja em Jerusalém; é um chamado à inspiração e renovação, a uma volta ao essencial da fé; é um chamado a relembrar o tempo em que a Igreja ainda era una. Dentro desse tema, são apresentados quatro elementos que eram marcos da primeira comunidade cristã e que são essenciais à vida da comunidade cristã, onde quer que ela exista. Primeiramente, temos a palavra que era comunicada pelos apóstolos. Em segundo lugar, a comunhão fraterna (koinonia) era um sinal importante entre os primeiros fiéis sempre que se reuniam. Uma terceira marca da Igreja primitiva era a celebração da Eucaristia (a fração do pão), lembrando a Nova Aliança que Jesus realizou através de seu sofrimento, morte e ressurreição. O quarto aspecto é a atitude constante de oração. Esses quatro elementos são os pilares da vida da Igreja e de sua unidade. A comunidade cristã na Terra Santa deseja dar proeminência a esses elementos essenciais básicos ao elevar a Deus suas preces pela unidade e vitalidade da Igreja no mundo. Os cristãos de Jerusalém convidam suas irmãs e irmãos do mundo inteiro a se unir a eles em oração enquanto trabalham pela justiça, paz e prosperidade para todos os povos da terra.

Os temas dos oito dias

Há uma caminhada de fé que pode ser detectada nos temas dos oito dias. Desde seus inícios na “sala superior”, a primitiva comunidade cristã experimenta o derramamento do Espírito Santo, que lhe permite crescer na fé e na unidade, na oração e na ação, de modo a tornar-se verdadeiramente uma comunidade da Ressurreição, unida a Cristo em sua vitória sobre tudo que nos divide uns dos outros e nos separa dele. Então a própria Igreja de Jerusalém se torna um farol de esperança, uma degustação antecipada da Jerusalém celeste, chamada a reconciliar não somente nossas Igrejas, mas todos os povos... O dia 1 apresenta as bases da Igreja mãe de Jerusalém, deixando clara sua continuidade com a Igreja de hoje pelo mundo inteiro. O dia 2 recorda que a primeira comunidade unida em Pentecostes tinha em seu interior pessoas de origens diversas, assim como a Igreja em Jerusalém hoje representa uma rica diversidade de tradições cristãs. O dia 3 contempla o primeiro elemento essencial de unidade: a Palavra de Deus apresentada através do ensinamento dos apóstolos. O dia 4 enfatiza a partilha como segunda expressão de unidade. O dia 5 destaca o terceiro elemento da unidade: a fração do pão, que nos une em esperança. Nossa unidade vai além do momento da Santa Comunhão: ela precisa incluir a atitude correta a respeito da vida ética, da pessoa humana e de toda a comunidade. O dia 6 apresenta o quarto elemento de unidade: com a Igreja em Jerusalém ganhamos força pelo tempo que nos dedicamos à oração. O dia 7 nos leva além dos quatro elementos da unidade, com a Igreja em Jerusalém alegremente proclamando a Ressurreição, mesmo quando ela carrega a dor da cruz. O dia 8 conclui a caminhada com um chamado das Igrejas de Jerusalém para um trabalho mais amplo de reconciliação. O tema de cada dia foi, portanto, escolhido não apenas para nos recordar a história da Igreja dos primeiros tempos, mas também para nos trazer à mente as experiências de cristãos em Jerusalém hoje, e para convidar todos nós a uma reflexão sobre como podemos trazer essa experiência para a vida de nossas comunidades cristãs em cada local. 

Durante esta caminhada de oito dias, os cristãos de Jerusalém nos convidam a proclamar e dar testemunho de que a Unidade – em seu sentido pleno de fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações – nos dará a possibilidade de, juntos, superarmos o mal, não só em Jerusalém, mas no mundo inteiro.



Fragmentos do texto - Preparado conjuntamente por Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas- www.vatican.va

Fonte: Folheto caminhada – www.aves.org.br

31 de maio de 2011

O sinal da cruz no início da liturgia

Fonte: Blog Canção Nova
Por: Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

O sinal-da-cruz no início da Liturgia é (como tantas outras) também uma ação ritual litúrgica e, por isso mesmo, carregada de profundo sentido humano, teológico e espiritual.

Antes de tudo é preciso ver essa ação litúrgica como uma ação integrada no contexto dos ritos iniciais da celebração, que têm sua finalidade bem precisa, indicada no n.46 da Instrução Geral sobre o Missal Romano, a saber: “fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembleia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia”.

Como se vê, a finalidade dos ritos iniciais é, em outras palavras, fazer com que os fiéis, sentindose assembleia litúrgica, façam a experiência de estarem em comunhão de fé e amor (entre si e, juntos, com Deus: Trindade santa) e, assim, se sintam bem dispostos a ouvir “atentamente” a Palavra e celebrar “dignamente a Eucaristia”.

E o sinal-da-cruz, neste contexto? É a primeira ação litúrgica, pela qual, (digamos assim) se “abre a sessão”, ou então, se constitui “oficialmente” a assembleia. É como se a pessoa que preside dissesse assim: “Em nome da Trindade santa (Pai, e Filho e Espírito Santo) declaro (declaramos) constituída esta assembleia litúrgica”. E toda a assembleia expressa o seu assentimento, dizendo: “Amém” (assim seja, aprovado!). Assim, junto com a saudação presidencial subsequente e a resposta do povo, se expressa (como diz a Instrução geral) “o mistério da Igreja reunida” (n.50). No fundo, o que se quer dizer é isso: “a partir desse instante, está constituída a assembléia litúrgica: Quem nos reúne em comunhão de fé e amor para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia é o Deus comunhão (Pai, e Filho e Espírito Santo), e mais ninguém. Neste Deus comunhão (por pura graça d’Ele) todos nós estamos em comunhão, formando um só corpo místico para celebrar a divina Liturgia, na qual somos ‘tocados’ pelo seu amor misericordioso em todos os âmbitos do nosso ser”.

Por isso, proclamando que quem nos reúne é a Trindade santa, nós tocamos o nosso corpo em forma de cruz. Esse “toque” tem um sentido simbólico e espiritual profundo. Por ele, no fundo, testemunhamos que, pelo mistério pascal (cruz e ressurreição) fomos (e somos!) “tocados” pelo amor da Trindade. Vejam o que o monge beneditino Anselm Grün, escritor e místico moderno, escreve sobre o sinal-da-cruz no início da Liturgia eucarística! Diz ele: “Ao traçar sobre si mesmos o sinal-da-cruz, os participantes ‘entram-no-jogo’, se convertem em atores do ‘jogo-visão’ (teatro). Já no primeiro século, os cristãos se marcavam com a cruz.

Ao fazê-lo, é como se talhassem ou gravassem em todo o seu ser o amor com que Jesus Cristo nos amou até o fim, morrendo por nós na cruz. (Ao traçar sobre nós a cruz) nós a burilamos em toda a amplitude do corpo: sobre a fronte (os pensamentos), no baixo ventre (a vitalidade, a sexualidade), sobre o ombro esquerdo (o inconsciente, o feminino, o coração), sobre o ombro direito (o consciente, o masculino, o agir). Ao fazer o sinal-da-cruz, asseguramos e antecipamos aquilo que celebramos na Eucaristia: que seremos tocados pelo amor de Cristo e que nada em nós fica excluído deste amor. Na Eucaristia, Jesus Cristo imprime o seu amor salvador e libertador em todos os âmbitos de nosso corpo e de nossa alma, para que tudo em nós espelhe sua luz e seu amor” (La Eucaristia como obra de teatro, como “teatro-visión” e teatro-juego”. In: Cuadernos Monásticos n.147,2003, p.439-440).

Portanto, fica claro que o sinal-da-cruz no início da Liturgia não tem nada a ver com “invocação” à Santíssima Trindade, como muitos pensam. Não tem sentido chamar esta ação litúrgica de “invocação” à Trindade. Pois é Ela que, por gratuita iniciativa sua já nos reúne em assembleia para, em comunhão de fé e amor, ouvirmos “atentamente” a Palavra e celebrarmos “dignamente” a Eucaristia... Simplesmente celebrarmos o fato de ser Ela que nos reúne para sermos “tocados” pela presença viva do Senhor, na Palavra e no Sacramento.

Liturgia em mutirão
Subsídios para a formação - CNBB
 Folheto caminhada www.aves.org.br

30 de maio de 2011

O altar no centro das atenções

Por: Ione Buyst

Ao entrarmos numa igreja, para onde se voltam nosso olhar e nossa atenção? Algumas pessoas se dirigem imediatamente à imagem de seu santo de devoção, ou fazem a volta de todos os altares dedicados aos santos. Outras pessoas vão direto ao lugar onde se encontra o sacrário, ajoelham-se aí e rezam.

E o altar? O que significa para nós? Qual a atenção que lhe dedicamos? Que sentimentos desperta em nós? A Instrução Geral ao Missal Romano (IGMR), no n. 229, diz assim: “O altar ocupe um lugar que seja de fato o centro para onde espontaneamente se volte a atenção de toda a assembléia dos fiéis.” E o n. 303 pede que nas novas igrejas a serem construídas, haja “um só altar que, na assembleia dos fiéis, signifique um só Cristo e uma só Eucaristia da Igreja.” E o n. 298 lembra que o altar fixo (que é preferível ao altar móvel), “significa de modo mais claro e permanente Jesus Cristo, Pedra viva (1 Pd 2, 4; cf. Ef 2, 20)”. O altar é também a “mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística” (IGMR, 73). Por isso, ao entrarmos na igreja devemos nos habituar a voltar nosso olhar e nossa atenção, antes de tudo, para o altar e saudá-lo com uma inclinação do corpo ou da cabeça, em atitude de respeito, cheio de devoção e de terno amor para com Jesus Cristo, Pedra viva que sustenta a comunidade cristã.

Evidentemente, esta centralidade do altar deve ser levada em conta também durante as celebrações litúrgicas. Observemos o início de uma celebração, de domingo, por exemplo: “Chegando ao presbitério, o sacerdote, o diácono e os ministros saúdam o altar com uma inclinação profunda. Em seguida, em sinal de veneração o sacerdote e o diácono beijam o altar e, se for oportuno, o sacerdote incensa a cruz e o altar. (IGMR 49). Esta inclinação profunda, este beijo, esta incensação não são mera etiqueta, cerimônia ou enfeite para embelezar a celebração, não. São expressão de nosso amor a Jesus Cristo e do fato de termos construído nossa vida nele, como num alicerce. Uma equipe de ministros que, durante o canto de entrada, avança do fundo da igreja em direção ao
altar, tendo o olhar, a atenção e o coração voltados para Cristo, representado pelo altar, ajudará toda a assembleia a se constituir e se concentrar na pessoa de Jesus.

Mas, o que pensar de uma equipe de ministros que, em vez de saudar o altar, se posiciona de costas para o mesmo e faz uma inclinação perante a parede do fundo, onde se encontra um crucifixo ou uma pintura de Cristo Ressuscitado, ou uma imagem do padroeiro ou padroeira? Provavelmente, ainda não perceberam que o altar ‘é mais’! Antigamente, antes do Concílio Vaticano II, o altar estava encostado na parede, geralmente no meio de um monumental ‘retábulo’, que comportava também o sacrário e imagens de santos, principalmente da padroeira. O altar como que se confundia com este conjunto todo e não era mais reconhecido como mesa do Senhor. E quando se fazia uma reverência no início e no final da celebração, não se tinha muita consciência se era para o altar ou para o sacrário ou para as imagens... Com a renovação conciliar a Igreja resgatou sua tradição primordial. Agora, o altar é de novo tratado como um sinal sacramental. Antes de ser usado para a celebração, o altar é ‘dedicado’ com uma solene oração, é ungido, nele se queima incenso, é revestido com a toalha e beijado pela primeira vez.

A saudação dos ministros no início e no final da celebração deve ser feita, pois, para o altar e não para o crucifixo ou outras representações na parede do fundo. Caso haja no presbitério também um sacrário, os ministros farão uma genuflexão no início e no final da celebração, mas jamais de costas para o altar. O mesmo vale para a saudação no início e no final de um oficio divino e também para as prostrações durante a ladainha de todos os santos em certas celebrações como ordenações ou profissões religiosas: devem ser feitas com todas as pessoas voltadas para o altar e não para a parede atrás dele!

Se o altar é tão importante, como centro da assembléia reunida, devemos evitar de colocar a cadeira da presidência e os assentos dos acólitos na frente do altar, de modo que fiquem de costas para o altar e impedem que este esteja no centro das atenções.

Artigo publicado na Revista de Liturgia, n. 199,
janeiro-fevereiro 2007, p. 28
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Por que beijar o altar?

Por: Ione Buyst

Pode um ministro leigo, ou uma ministra leiga que preside a celebração dominical da Palavra de Deus beijar o altar no início (e no fim) da celebração, como fazem o padre e o diácono na missa?

• Qual a origem do beijo da mesa? Presente em muitas culturas, o beijo pode ser um simples cumprimento, ou transmissão de força através do sopro (Cf. 2Rs 4,34), ou expressão de reverência, veneração, respeito, entrega espiritual, amizade, fraternidade, pertença a um determinado grupo, amor, intimidade, comunhão, comunhão (Cf. Rm 16,16). Outras culturas ignoram ou até repelem o beijo como gesto social. Na Roma antiga, o beijo era muito presente no dia a dia, também na cultura religiosa. Era costume geral reverenciar
o templo das divindades beijando o altar, ou a soleira e os umbrais da porta do templo, ou ainda beijar ou jogar beijos para as estátuas que representavam as divindades.

Será que os romanos que aderiram ao cristianismo levaram esta prática para suas Liturgias? Impensável uma coisa dessas! Os cristãos das primeiras gerações evitavam confusão com os cultos pagãos; afirmavam com vigor que não tinham sacrifícios, nem sacerdotes, nem templo, nem altar. Mas um outro costume, bem familiar, pode ter sido a origem do beijo da mesa da Eucaristia: em casa, beijava-se a mesa das refeições, porque era considerada sagrada. (Parece que, até pouco tempo atrás, os frades capuchinhos guardavam o costume de beijar a mesa no refeitório antes da refeição). Nada mais natural, portanto, do que beijar também a mesa da refeição eucarística. No final do século IV, este costume já se generalizou em Roma. E é encontrado também em Liturgias orientais, como a bizantina, síria, armênia.

• Que sentido tem beijar a mesa na Liturgia cristã? Antes de tudo, trata-se de um sinal de veneração pela mesa comum, na qual se celebra a Ceia do Senhor. Com o tempo, quando já não se via perigo de confusão com os chamados cultos ‘pagãos’, a mesa foi sendo chamada de ‘altar’ e considerado representação simbólica de Cristo que é pedra angular, rocha espiritual, único templo, altar, sacerdote e vítima da nova
aliança. Assim, o beijo dado à mesa começou a ser entendido como um beijo a Cristo. Durante a Idade Média, as relíquias dos mártires incorporados no altar recebiam de certa forma mais atenção que o próprio Cristo: o beijo do altar começou então a ser entendido como veneração dos mártires cujas relíquias aí se encontravam.

Na renovação litúrgica do Concílio Vaticano II, o beijo da mesa da Eucaristia na missa volta a ser considerado simplesmente como “sinal de veneração” e se limita ao beijo dado no início pelo presidente da celebração e pelos presbíteros e diáconos concelebrantes. No final da missa, somente o celebrante principal e os diáconos
beijam o altar outra vez. O Cerimonial dos Bispos fala explicitamente do beijo do altar dado pelo bispo também nas vésperas solenes; portanto, não se refere somente à celebração eucarística.

• Será um gesto restrito ao ministro ordenado? Em algumas regiões do Brasil, é costume o povo chegar à igreja e ir direto para o altar e beijar a toalha. Sinal de carinho, expressão de amor. Há relatos também do costume de levar as crianças que acabam de serem batizadas para beijar o altar.

Na celebração dominical da Palavra de Deus,a presidência leiga não está agindo por conta própria: tem mandato explícito ou implícito da autoridade eclesiástica. Por isso, não poderíamos considerar que, ao beijar a mesa, está venerandoa em nome da comunidade, expressando o laço que une a comunidade a Cristo? Afinal, o mais importante é a mesa do Senhor, não a pessoa que a beija. Além disso, quem pode distribuir a comunhão eucarística, partilhar a Palavra de Deus, presidir à celebração dominical..., não poderia realizar este gesto tão simples e familiar de beijar o altar?

Liturgia em mutirão
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